O jogo do poder e os bastidores da Igreja Católica: resenha do filme “Conclave” (2024)

Dirigido por Edward Berger e baseado no livro homônimo de Robert Harris, “Conclave” (2024) mergulha o espectador nas intrigas e segredos que rondam o Vaticano durante o processo de escolha de um Papa. A trama começa após a morte repentina de um Papa por ataque cardíaco. Cabe ao cardeal-decano britânico Thomas Lawrence (Ralph Fiennes) a espinhosa tarefa de organizar o conclave para eleger o sucessor, encontrando-se no centro de uma teia de intrigas, ambições políticas e escândalos.

O Colégio de Cardeais isola-se na Capela Sistina e demais dependências do Vaticano, transformando o sagrado processo de escolha em um intenso drama e revelações de escândalos. Entre os favoritos estão o cardeal Aldo Bellini (Stanley Tucci), representante da ala liberal; o conservador social Joshua Adeyemi (Lucian Msamati); o moderado Joseph Tremblay (John Lithgow); e o tradicionalista convicto Goffredo Tedesco (Sergio Castellitto). Após inúmeras votações, a reviravolta ocorre com a inesperada eleição do cardeal Vincent Benitez (Carlos Diehz), um arcebispo mexicano que atuava no Afeganistão e carrega um segredo profundo.
A divisão ideológica: progressistas vs. conservadores
O núcleo dramático da obra expõe o racha histórico na Igreja Apostólica Romana. De um lado, o movimento conservador defende a preservação rígida da tradição milenar, da doutrina histórica e da liturgia formal, resistindo às modernizações. Do outro, o catolicismo progressista prioriza a justiça social, os direitos humanos e a acolhida aos marginalizados.
Essa mesma oposição ideológica marcante também é vista no filme “Dois Papas” (2019), que retrata o embate de visões entre o Papa Bento XVI (conservador) e o cardeal Jorge Bergoglio (progressista, futuro Papa Francisco). Em ambas as produções, o conflito reflete as complexas negociações sobre o rumo espiritual e social da instituição milenar.

Realidade versus Ficção
Vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado, o filme equilibra rigor factual e licença criativa, que toda obra de ficção contém. O procedimento do conclave é bem retratado: o isolamento estrito dos cardeais, o uso de cédulas na Capela Sistina e a tradicional fumaça (preta ou branca) comunicando o resultado ao mundo.
O clima de segredo e as tensões políticas também encontram respaldo na história real da Igreja. Divergências entre alas ideológicas são inerentes a qualquer eleição papal, tornando a ficção de Harris e Berger uma produção verossímil da natureza humana sob o manto sagrado da Igreja Apostólica Católica Romana.
Elenco Principal “O Conclave”
| Ator / Atriz | Papel |
| Ralph Fiennes | Cardeal Thomas Lawrence |
| Stanley Tucci | Cardeal Aldo Bellini |
| John Lithgow | Cardeal Joseph Tremblay |
| Lucian Msamati | Cardeal Joshua Adeyemi |
| Carlos Diehz | Cardeal Vincent Benitez |
| Isabella Rossellini | Irmã Agnes |
| Jacek Koman | Arcebispo Wozniak |
| Thomas Loibl | Cardeal Mandorff |
| Sergio Castellitto | Cardeal Tedesco |
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